terça-feira, 25 de outubro de 2011

Próxima sessão: Gilda

Gilda (Charles Vidor, 1946)
110 min, P&B



A trama conta a história de Johnny Farrell, um apostador recém-chegado à Buenos Aires que rapidamente se torna o braço direito de Ballin Mundson, dono de um famoso clube noturno da cidade. Johnny é apresentado à Gilda,  a bela mulher de Mundson; no entanto, este não sabe que os dois já se conheciam e inclusive tiveram um relacionamento no passado.

Gilda é o que vem à mente quando se pensa em femme fatale: mulher independente, sedutora e misteriosa que consegue atrair e manipular os homens ao redor. Considerada uma das mulheres mais bonitas da história do cinema, Rita Hayworth anunciaria "a maioria dos homens se apaixona por Gilda, mas acorda comigo".

A gente se vê nesta quarta, 26/10, às 16h na sala de diagramação da Facom.
Enquanto isso, confira Rita Hayworth no papel de Gilda interpretando a música Put The Blame on Mame, em uma das cenas mais bonitas do filme:


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Próxima sessão: Pacto de Sangue

Double Indemnity (Billy Wilder, 1944)
107 min, P&B

O agente de seguros Walter Neff, se envolve com a sedutora Phyllis Dietrichson. Juntos, planejam um esquema para matar o marido de Phyllis e ficar com o dinheiro do seguro. No entanto, o casal tem de ser cauteloso quando Barton Keys, chefe de Neff, resolve iniciar uma investigação para tentar desvendar o mistério da morte do sr. Dietrichson.
Billy Wilder talvez seja o mais reverenciado diretor da estética noir. À semelhança de Crepúsculo dos Deuses, Wilder nos oferece protagonistas que mais se aproximam de anti-heróis. Seus personagens, mesmos que movidos pela ganância, apresentam um equilíbrio entre bem e mau, mantendo a identificação do público.

O filme é uma adaptação do romance homônimo de James M. Cain, que por sua vez se baseou num crime ocorrido em Nova York no fim dos anos 20, em que uma mulher convence o amante a matar seu marido para ficar com o seguro com indenização em dobro (double indemnity).


Nesta quarta, 19/10, às 16h na sala de diagramação da Facom.

Pacto de Sangue no IMDB

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Próxima sessão: Pacto Sinistro

Strangers on a Train (Alfred Hitchcock, 1951)
92 min, P&B

Conta a História do tenista profissional Guy Haynes que conhece o playboy Bruno Antony em um trem. Bruno que lê tudo sobre Guy nas revistas de fofoca sabe que ele tenta se divorciar a tempos de Miriam para poder se casar com Anne Morton, filha de um senador influente. Bruno, que odeia seu pai, propõe à Guy uma solução para os "problemas" de ambos, uma troca de assassinatos: Bruno mataria Miriam e Guy mataria o pai de Bruno, livrando-os de qualquer suspeita, uma vez que eles não tinham nenhuma conexão.
Guy acredita que a proposta era apenas uma brincadeira. Contudo Bruno mata Miriam e ameaça acusar Guy pelo assassinato caso ele não mate seu pai.
O filme apresenta o melhor do noir. Uma trama complexa centrada na investigação de um crime e na tentativa de provar quem é o verdadeiro assassino de Miriam, a figura ameaçadora e psicopática de Bruno e personagens femininas marcantes como a própria Miriam, Anne e sua irmã Bárbara.
E, como não podia faltar num filme de Hitchcock, há uma cena da trama em que o próprio diretor aparece como figurante. É só reparar num homem carregando um contrabaixo para dentro de um trem no começo do filme.
Nesta quarta, 05/10, às 16h na sala de diagramação da Facom. Até lá!

Pacto Sinistro no IMDB

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Próxima sessão: O Terceiro Homem

The Third Man (Carol Reed, 1949)
104 min, P&B

No filme dirigido por Carol Reed acompanhamos Holly Martins, um escritor americano que vai à Viena interessado na proposta de emprego oferecida por seu amigo Harry Lime. Ao chegar na cidade, Martins é notificado que Lime sofrera um acidente e estava morto.
Não convencido com as explicações dos amigos de Harry e indignado com as acusações de que seu amigo estava envolvido em negociações do mercado negro, Martins resolve investigar por conta própria as misteriosas circunstâncias da morte de Lime.
A Viena decadente do pós-guerra ambienta o filme, que traz Orson Welles em um de seus mais carismáticos papéis (há ainda os boatos de que Welles estaria envolvido também na direção do filme). A trilha sonora, executada inteiramente em cítara, é uma obra à parte. Confira a abertura do filme e se prepare para a sessão: nesta quarta, 28/09, às 16h na sala de diagramação da Facom. Até lá!


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Próxima sessão: A Marca da Maldade

Touch of Evil (Orson Welles, 1958)
95 min, P&B

O filme dirigido e, de certa forma, protagonizado por Orson Welles conta a história de dois policiais – um mexicano e outro estadunidense – que investigam um assassinato ocorrido na fronteira entre os dois países.
Hank Quinlan, vivido por Welles, é o capitão da policia dos EUA. Desde o assassinato de sua esposa ele se tornou corrupto e manipula o resultado das investigações, fato que o leva a entrar em conflito com a honestidade do chefe da polícia Mexicana, Ramon Miguel Vargas (Charlton Heston).
O filme começa com um plano sequência de quase três minutos e continua com uma série de tomadas belíssimas no meio do deserto, cortes e movimentos de câmera únicos que revelam a maestria do diretor. A Marca da Maldade é uma ótima oportunidade para se discutir características recorrentes à estética noir. Nesta quarta, 21/09. Até lá!

Marca da Maldade no IMDB

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um texto sobre Noir

No Cinema Aberto de hoje tivemos um breve debate sobre a estética Noir e suas características. Um texto indicado para se conhecer um pouco mais o tema é o Film Noir, do Fernando Mascarello, presente no livro História do Cinema Mundial, organizado pelo mesmo.

Aqui você encontra o capítulo em PDF.

Uma boa leitura e nos vemos na próxima sessão!

Para uso em referências bibliográficas:
MASCARELLO, Fernando. Film Noir. In: MASCARELLO, Fernando (org.). História do Cinema Mundial. Campinas: Papirus, 2006, pp. 177-188.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Próxima sessão: Crepúsculo dos Deuses

Sunset Blvd (Billy Wilder, 1950)
110 min, P&B


Ambientado na Hollywood dos anos 50, o filme Crepúsculo dos Deuses narra a história de Norma Desmond, uma atriz dos tempos áureos do cinema-mudo que vive reclusa em sua mansão decadente. Ao conhecer Joe Gills, um roteirista azarado que vai parar em sua casa ao fugir de cobradores, a ex-estrela passa a sonhar com um triunfal retorno às telas.

Estrelado por William Holden e Gloria Swanson, o filme é um dos mais referenciados filmes de temática noir*. Trazendo grande parte das características da trama e da estética Noir, Sunset Blvd é um interessante ponto de partida para se debater o tema.

Nesta quarta, 14/09, às 16h na sala da Diagramação, na Faculdade de Comunicação Social. A gente se vê lá!



* Vide estatísticas no Internet Movie Database

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cinema Aberto volta essa semana

More than night...

O Cinema Aberto deste semestre trará um pouco de mistério e investigação para a UFJF. O tema é “Cinema Noir e seus reflexos”.

No total, serão exibidos dez filmes. Alguns fazem parte do que chamamos de Noir e os outros fazem diversas referências ao gênero – o que alguns críticos consideram como pós-noir, teen-noir, tech-noir...

O cinema Noir tem levantado inúmeras discussões a respeito de sua existência como um gênero cinematográfico. Além de apresentar características bem marcantes do Expressionismo Alemão e do Impressionismo Italiano – ou seja, tem muita coisa pra se falar desses filmes.

A promessa que fica é que todas quartas-feiras, das 16 às 18 horas, serão exibidos filmes cheios de desconfiança, crime, mulheres fatais, detetives e iluminação contrastante – com enfoque em ambientes noturnos.

Lembrando que as exibições serão na sala de Diagramação, lá na Facom. Confiram a programação:


14/9 - Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)

21/9 - A Marca da Maldade (Orson Welles, 1957)

28/9 - O Terceiro Homem (Carol Reed, 1949)

5/10 - Pacto Sinistro (Alfred Hitchcock, 1951)

19/10 - Pacto de Sangue (Billy Wilder, 1944)

26/10 - Gilda (Charles Vidor, 1946)

9/11 - O Grande Golpe (Stanley Kubrick, 1956)

16/11 - Chinatown (Roman Polanski, 1974)

23/11 - Brick (Riam Johnson, 2005)

30/11 - Blade Runner (Ridley Scott, 1982)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Prepare seu estômago!



O filme desta quarta-feira 11/05 é o Fome Animal (ou Braindead), do mesmíssimo diretor da famosa mega trilogia "Senhor dos Anéis". De 1992, o filme reúne a maior parte dos elementos considerados trash: baixo orçamento, sangue, tripas, zumbis, e coisas muito loucas.

É às 18h na sala 11 da Facom!

Aproveitando a dica...
Não deixe também de assistir Náusea Total, o primeiro filme do Peter Jackson, feito entre amigos mesmo. Também extremamente nojento!

terça-feira, 26 de abril de 2011

At Midnight I'll Take Your Soul


Você sabe quem é José Mojica Marins?




É, ao nos referirmos a Zé do Caixão estamos nos referindo a José Mojica!
E é dele o filme que passa nesta quarta-feira, 27/04 no Cinema Aberto.

À Meia Noite Levarei sua Alma é um filme de 1964 e é o primeiro em que o personagem Zé do Caixão aparece.
A sinopse do filme segundo o IMDb é "A gravedigger prowls the city in search of a female to bear him a son."
Baixo recurso, muito terror e rituais satânicos, o filme fez grande sucesso em circuitos alternativos de cinema, principalmente no cenário internacional.
Um grande símbolo do trash brasileiro!

É quarta-feira, 27/04, às 18h, agora na sala 11 da Facom!

Cuidado quando seu relógio bater à meia noite... muahahahaha!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Tão trash, mas tão trash, que nem sabia que era trash!



Nesta quarta-feira, 13/04, damos início ao novo módulo temático do Cinema Aberto.

O filme de abertura não poderia se encaixar melhor!



é um ótimo filme para começarmos a discutir o que é cinema trash. Por quê?

Porque os filmes de Ed Wood, e principalmente o Plano 9 - que já foi eleito o pior filme de todos os tempos - ainda não eram feitos "para ser" trash, ou tendo consciência de sua "trasheiragem".

O filme que se propunha ser uma "ficção científica de terror" chega mais perto, hoje, da comicidade do que do medo ou do susto.


Puxando o gancho nos filmes do louco diretor Edward Wood Jr., fica a dica para conhecer melhor sua história no filme Ed Wood (Tim Burton, 1994), que de trash só tem mesmo os filmes do Ed. Estrelando Johnny Depp, o filme de Tim Burton nos esclarece um pouco as motivações de Ed Wood de uma maneira fantástica e como uma grande homenagem ao falecido diretor. (Além de tudo issoo você fica sabendo porque a atriz Sarah Jessica Parker ter cara de cavalo).


No mais, após a exibição de amanhã discutiremos mais a fundo alguns conceitos e parâmetros para definir cinema trash. Postaremos aqui o que for discutido e é claro, aguardamos vocês.


É amanhã (quarta-feira, 13/04), às 18h, na sala de diagramação da Faculdade de Comunicação da UFJF!


E aqui, uma animaçãozinha do Tim Burton, que não tem muito a ver com o post, mas que é bem legal.




segunda-feira, 4 de abril de 2011

O que é Cinema Trash?


Na próxima semana tem início as sessões do Cinema Aberto com o tema "O que é Cinema Trash?"

Confira a progamação:

13/04 - Plano 9 do Espaço Sideral

(Ed Wood, 1959)


27/04 - À Meia-Noite Levarei sua Alma

(José Mojica, 1964)

11/05 - Fome Animal

(Peter Jackson, 1992)

18/05 - Monty Phyton em Busca do Cálice Sagrado

(Terry Gilliam e Terry Jones, 1975)

01/06 - Mangue Negro

(Rodrigo Aragão, 2008)

08/06 - Planeta Terror

(Robert Rodriguez, 2007)



quarta-feira, 30 de março de 2011

Cinema Aberto 2011

Ficamos muito tempo sem postar nada, mas agora vai. Temos muitas novidades!
No primeiro semestre de 2011 o tema do Cinema Aberto será "O que é Cinema Trash"?

Através de oito filmes que iremos assistir, tentaremos estabelecer parâmetros para, juntos, conceituarmos e entendermos melhor o que é o cinema trash.

O que já percebemos na pesquisa feita para apresentar a temática é que não existe um só tipo de cinema trash. E isso ficará muito claro na programação (que logo logo será postada aqui!). Por isso, não se assuste ao ver no cartaz um filme que você nunca imaginaria ser trash!

Aguardem maiores informações!

Enquanto isso... estão todos convidados para o Módulo de Cinema do Pet/Facom nesse semestre. A temática é Cinema Independente Americano e o módulo está sendo ministrado pelo mestrando da Facom Lúcio Reis. A partir do dia 12/04, todas as terças-feiras, no Pet (perto do aquário) da Facom/UFJF.

A Ementa do Módulo segue abaixo, e são todos bem vindos para participar!

O “cinema independente” é uma designação que se refere a determinada parcela da produção
americana, uma prática cinematográfica que, de alguma maneira, apresenta-se como
alternativa, ou estabelece oposição ao cinema dominante (mainstream). O conceito de
cinema independente desafia definições, e muitas designações confundem-se com o mesmo,
entre elas: american new wave, new american cinema, cinema experimental, avant-garde e
underground. Pretende-se lançar luz sobre essas diversas práticas, pois dependendo do que se
entenda por “independente”, a categoria atravessa toda a história do cinema. Será analisada a
obra selecionada de alguns cineastas independentes importantes, entre eles John Cassavetes,
John Waters, David Lynch, os irmãos Coen, Spike Lee, Gus van Sant, Steven Soderbergh,
Quentin Tarantinto, Robert Rodriguez, Darren Aronofsky e George Romero, entre outros.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

11 homens e um segredo!

O filme exibido pelo cinema aberto dessa semana é o Onze Homens e Um Segredo, de 1960 do diretor Lewis Milestone.

Quem não viu as carinhas lindas de George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, e pra não deixar as mulheres de fora, Julia Roberts no remake de 2001, do mirabolante Soderbergh?

Vale a pena conferir a divertida versão original do filme!

Como sempre, às 16h, na Sala de Diagramação da Faculdade de Comunicação da UFJF!


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Scarface




Scarface é o filme que abre as discussões do segundo módulo do Cinema Aberto, com o tema "Originais X Remakes".




A versão original do filme é de 1932, e dirigido por um dos diretores mais famosos de Hollywood na época, Howard Hawks.





Já a versão remake, é de 1983, dirigido por Brian de Palma, e com a atuação do queridinho-para-sempre-mafioso Al Pacino.

Questões de gosto à parte, os dois filmes são muito bons! Nessa primeira discussões devemos debater um pouco o que são os remakes e comparar as versões desses filmes, entender seus contextos históricos e até criar uma grande polêmica de qual é o preferido!

Esperamos por vocês!





Seguem alguns links sobre remakes, para quem deseja se aprofundar no assunto:





segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Programação Setembro 2010





O Cinema Aberto está de volta nesse segundo semestre com o tema "Original ou Remake?". A idéia é conversarmos sobre essa tendência que está em alta de refazer filmes, principalmente no cinema hollywoodiano.


O debate deve girar em torno do que são os remakes, comparar as versões dos filmes, levando em conta o contexto em que ambas foram produzidas, e, principalmente, tornar acessível as versões originais, que na maioria das vezes são desconhecidas por parte do público.


Programação:


09/09/2010

Scarface – Howard Hawks, 1932

(Remake: Scarface – Brian de Palma, 1983)

16/09/2010

Guerra dos Mundos – Byron Haskin, 1953

(Remake: Guerra dos Mundos – Steven Spielberg, 2005)

23/09/2010

11 Homens e um Segredo – Lewis Milestone, 1960

(Remake: 11 Homens e um Segredo – Steven Soderbergh, 2001)

30/09/2010

Abre los Ojos – Alejandro Amenábar, 1997

(Remake: Vanilla Sky – Cameron Crowe, 2001)





Lembrando que vamos exibir somente as versões originais e receberá o certificado quem obtiver 70% de frequência.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Transamérica, temática gay sem estereótipos.

Realizado de forma independente,essa produção norte americana de 2005 foi dirigida por Duncan Tucker, que teve a ideia de filmar sobre transgêneros depois de descobrir que a garota com quem dividia um apartamento há quatro meses era na verdade um homem.
Depois disso, Tucker criou a personagem Sabrina(Felicity Huffman),registrada como Stanley e que luta para realizar sua cirurgia de mudança de sexo.
Apenas uma semana antes de concretizar seu grande sonho,Sabrina (ou Bree,como gosta de ser chamada) descobre ter um filho adolescente,Toby(Kevin Zeger). Com essa revelação, a terapeuta de Bree, interpretada por Elizabeth Peña,recusa-se a assinar a autorização para sua cirurgia,obrigando Bree a se aproximar do filho. Os dois fazem,então, uma viagem pelo pais e vão se conhecendo, se aproximando de forma lenda,muito gradativa.
Fica muito claro ao longo do filme,como as mudanças s
ão sutis nos dois personagens e como a estrada contribui para isso tudo. Se Bree e Toby tivessem ido morar juntos logo de cara, por exemplo, parece que essa mudanças que ocorrem no modo dos dois encararem o outro e a si mesmos,não teria ocorrido. A tal liberdade, a falta de limites (subjetivos e fisicos) da estrada que aproximam pai e filho.
Interessante reparar como o filme apresenta, sem estardalhaços,o conservadorismo ainda vigente na sociedade norte-americana. Bree
é uma pessoa a margem dessa sociedade e se relaciona,majoritariamente,com pessoas de setores tambem marginalizados. Ela trabalha num restaurante mexicano, sua terapeuta é portenha, seu único interesse amoroso visível é um trabalhador índio, e a própria família – a mãe perua (Fionnula Flanagan), o pai submisso (Burt Young) e a irmã arredia (Carrie Presto) – é, apesar de ter um padrão de vida confortável, claramente outsider. A sugestão é evidente: a classe média WASP (brancos, anglo-saxões e protestantes) não aceita bem pessoas como eles.
Muitos filmes que versam sobre o tema da homossexualidade,transsexualidade não são bem recebidos pelo proprio publico gay, que não se enxerga em personagens por demais caricatos e distantes de sua realidade. Esse nao é o caso de Transamérica.
Um roteiro que não esteriotipa e a grande atuação da protagonista foram o ponto crucial para que o filme fosse bem aceito pelo publico LGBT`s.
A caracterização de Sabrina foi composta a partir de uma pesquisa minunciosa sobre o mundo dos transsexuais e trans
gêneros feita pelo diretor. E no decorrer do longa percebemos que Felicity Huffman percebeu,realmente, essa realidade,vivendo uma mulher angustiada, que tem nojo do próprio pênis e se sente presa no corpo de um homem. Ela,inclusive,conviveu com alguns transexuais para fazer o papel e teve uma consultora no set de filmagem.
A atriz,que interpreta a personagem Lynette Scavo na serie de TV americana Desperate Housewives, foi vencedora do Globo de Ouro por sua atuação em Transamérica e perdeu o Oscar de Melhor atriz (para muitos,injustamente) para Reese Witherspoon por "Johnny e June".
Vale ressaltar que existem outros Road Movies que abordam esse tema,como
Priscilla a Rainha do Deserto, de 1994 com Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce que interpretam três drag queens viajando pelo deserto australiano enquanto apresentam um divertido show. O transporte é um ônibus caindo ao pedaços batizado de ''Priscila''. O filme venceu o Oscar de melhor figurino.

Natural Born Killers, a maior provocação de Oliver Stone.


Dizem que, se JFK é o melhor filme de Oliver Stone,Natural Born Killers,ou Assassinos por Natureza,
é sua maior provocação.
O longa de 1994 conta a
história de Mickey e Mallory Knox (Woody Harrelson e Juliette Lewis),um casal de serial killers que cruza os EUA protagonizando uma matança que chama a atenção da mídia,retratada pelo personagem de Robert Downey Jr., o apresentador Wayne Gale.
O filme pode ser dividido em duas narrativas contadas por dois pontos de vista diferentes- a primeira,pelos protagonistas - enfoque na história de amor, e nos traumas que fizeram eles serem o que eram, depois contada pela
mídia-sensacionalismo,exploração do bizarro e criação de mitos.A mídia norte americana é, com certeza, também protagonista dessa história.(Muita gente considera,inclusive,a imprensa como a verdadeira personagem central do longa).
Wayne persegue os assassinos de forma obssessiva e a cobertura massiva da imprensa acaba colocando Mickey e Mallory como superstars, os dois ganham fãs pelo país.
O roteiro de Assassinos por Natureza foi assinado por ninguém menos que Quentin Tarantino,diretor de filmes(incríveis)com boas doses de violência, como Pulp Fiction(1994) e Bastardos Inglorios(2009).
A trilha sonora do longa, que é indiscutivelmente boa, lembra muito as trilhas dos filmes de Tarantino, oscilando entre o rock pesado do Rage against the machine e a voz leve de Leonard Cohen.
Entretanto,traços “claramente tarantinescos”no filme param por aí, ja que Oliver Stone modificou(muito)o roteiro original . Em média, 150 cenas foram cortadas ou reescritas,com o intuito de abrandar a censura no lançamento do filme. Com tantas modificaçoes, a edição de Assassinos por natureza demorou onze meses para ser feita.
Mas tanto cuidado nao foi suficiente para livrar os produtores de serem processados nos Estados Unidos.Um casal afirmou ter visto o filme antes de cometer um crime e alegou que teria sido a história de Mickey e Mallory que os instigou.
Se o casal de namorados serial killers influenciou crimes não se sabe,mas fato é que Mickey e Mallory foram inspirados em um casal real, que passou um mês viajando pelos Estados Unidos na década de 50,Charles Starkwheater e Caril Ann Fugate(s
ão eles mesmos na foto ai em cima). Starkwheater tinha 18 anos e Caril Ann, 14. Os dois assassinaram onze pessoas ao longo da viagem.
Essa
história nao inspirou somente Oliver Stone, mas rendeu outros filmes (como Starkwheater,de 2004), musicas como Nebraska, de Bruce Springsteen, canção-título de seu álbum solo de 1982,que baseia-se nestes eventos e,conta-se ainda que Stephen King, mestre das histórias de horror, foi fortemente influenciado por leituras que fez sobre os assassinatos Starkweather,criando variaçoes do assassino em suas obras.
Mais do que apenas retratar serial killers que sao romanceados pela cobertura da
mídia sobre seus crimes, Assassinos por natureza escancara sentimentos politicamente incorretos que todos temos, como a simpatia pelo casal de assassinos e a torcida por Michey e Mallory que acaba vindo no decorrer do filme.
Por fim,apesar de ser uma produção violenta e que expoe uma imprensa sensacionalista e oportunista,Stone defende que o verdadeiro tema do filme é a liberdade. Como o próprio diretor comentou :
“In its own way, Natural Born Killers is ultimately a very optimistic film about the future. It’s about freedom, and the ability of every human being to get it” (”Em seu próprio jeito, Assassinos por Natureza é fundamentalmente um filme muito otimista a respeito do futuro. É sobre liberdade, e a habilidade de todo ser humano de conquistá-la”).

quinta-feira, 24 de junho de 2010

I Put a Spell on You- sobre "Stranger than Paradise"

Screamin’ Jay Hawkins é o intérprete da famosa canção de jazz “I put a spell on you”, tema do filme “Stranger than paradise”. Hawkins sempre foi um excêntrico: é conhecido precursor das extravagantes e controversas performances no palco, o "shock rock", desde Ozzy Osbourne até Marilyn Manson. Em trajes africanos, em sua mão direita um cetro do vodu, maquiagem branca no rosto e uma voz quase surreal, no sentido macabro da palavra, foi uma solitária figura em um meio tão tradicional como o blues. Interessante é perceber que sua versão da música tema, famosa pela interpretação de Nina Simone, é de fato oposta ao ar romântico e melancólico comumente associados à canção. É uma voz estridente, gritante, cadenciada e ritmada pelo que seria quase uma dança tribal; ao invés de causar furor, causa profundo estranhamento ao dizer “Eu coloquei um feitiço em você, porque você é minha”. Tudo estava lá, a excentricidade, a obsessão, a raiva, a gritaria...


É justamente sobre isso que Stranger than Paradise versa. Os planos longos, abertos, as cenas com alto contraste entre o preto e o branco. Ao nível da narrativa, a estupidez, a mediocridade, a saudade, o desejo, o estranhamento. São os Estados Unidos longe da versão oficial, se é que ela de fato existe. Fato é que assim os personagens a vêem, Jarmusch a vê, e nós, espectadores, vemos uma América conflitante, oscilante, sob a ótica de dois homens e uma mulher, estrangeiros de si mesmos.


Nesse ponto, encontramos dois níveis de entendimento do filme: de um lado temos dois húngaros e um americano, todos alheios a quem são, ou para aonde vão, se é que possamos expressar dessa forma; de outro, temos uma terra que também é alheia aos que nela vivem e nascem. Trailers, apartamentos pequenos, bairros perigosos, motéis de beira de estrada, almoço enlatado... É a nação que está sempre pronta a partir, a mudar, -a se locomover.


De fato, os personagens encarnam o sentido da palavra “ocasional”, “efêmero”. Eles estão ali por simples golpe de sorte, destino. São os que sempre estarão nas margens de qualquer construção social, de qualquer relacionamento, moda ou mainstream. São os que causam pavor à consciência da classe média, ao olhar confortável. São os que vivem a constatação do estabelecido, não por escolha, mas simplesmente porque assim o são, assim nasceram e assim serão. Jarmusch conta suas histórias. Desde seu primeiro filme “Permanent Vacation”, até os mais recentes, como “Flores Partidas”.


Por fim, é na estrada que eles se encontram, no lugar de transição, em um “não-lugar”. Flórida parecia o fim da viagem, um lugar de sonho e realização. Flórida é somente a Flórida no final das contas, e é tão selvagem, cruel e igual à Nova York ou qualquer outra cidade. Eva, personagem húngara no filme (sendo também a atriz que a interpreta, além de ex-dançarina de boate), encontra-se na encruzilhada ao fim do filme: Hungria ou Paris? Por fim, volta ao hotel vagabundo, se senta e respira fundo. Ali, talvez, seja seu lugar. O lugar, quiçá, destes que são os Estados Unidos e que, contudo, não são nada além do que notas de rodapé nos livros de história.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Natural Born Killers






Assassinos por Natureza (Natural Born Killers) é o filme que o Cinema Aberto vai exibir essa semana. De 1994, o road movie é do diretor Oliver Stone, com o roteiro do louquíssimo Quentin Tarantino, e a atuação do narigudo Woody Harrelson , e da doce Juliette Lewis, a mesma da banda Julliete and de Licks. (http://www.myspace.com/julietteandthelicks)






Um road movie que segue a tendência casal-criminosa, que foi inaugurada em belíssimo estilo com o filme Bonnie and Clyde (Uma rajada de balas), de 1967, dirigido por Arthur Penn e produzido por Warren Beatty. Com atuações de Faye Dunaway e do próprio Beatty, o filme foi um dos primeiros da chamada geração da "Nova Hollywood". (Vale a pena dar uma olhada!)




A sessão ocorre na Facom, às 18h, sala ainda a decidir!

Caso alguém queira se aprofundar, há leituras no livro The Road Movie Book, disponível no google books!




Por Marina Botelho